terça-feira, 13 de março de 2018
The Beach
“A vida vem em ondas, como o mar. Num indo e vindo infinito...”
Não só contida numa canção antiga, esta frase diz muito sobre como eu sou. Ou como todo mundo é, num modo geral. Mas, como eu não sou você, eu não posso fazer essa generalização. Falo de mim, então.
Tenho ouvido e sentindo muitas oscilações no meu jeito de encarar as situações que aparecem no meu dia a dia. As vezes, sobre um mesmo assunto, minha visão muda com o vento e isso nem sempre acaba sendo uma coisa boa pra mim ou para as pessoas ao meu redor. O que não me incomodaria muito a um tempo atrás porque, talvez um pouco de flexibilidade fosse o que eu precisava na época. Sempre fui uma pessoa fiel. Às pessoas, às ideias, às músicas, aos filmes, aos times, não importa. Este sentimento de que eu estou com você e vou com você até o fim, até onde não der mais é uma das coisas que guiou e continuam guiando minha vida. Me orgulho desta minha característica porque vejo cada vez menos disso por aí.
Mas também me fez duro em face a certas circunstâncias. Rígido e imutável.
A vida tem um jeito próprio de, como o mar, ir e vir. Ela segure seu próprio caminho e cabe a você se adaptar ao que vem e se despedir rápido do que vai. Claro que há muitos jeitos de se preparar e lidar com essas adaptações. Cada um tem o seu. Cada um tem o seu tempo.
Recentemente, minha cabeça estava assim. Como se estivesse andando por milhas em areia, até as pernas se sentirem derretidas pelo calor que emana de baixo pra cima. Como se eu estivesse no mar, preso em algas e sentindo a maré me puxar pra onde ela quiser, sem pedir minha permissão, ao ponto de separar meu corpo da minha alma. Cansado. Sem fôlego, me afogando.
Eu precisava de ajuda. E você veio. Consegui no meio dessa confusão toda avistar meu Porto Seguro. Consegui firmar os pés no chão e me livrar de tudo aquilo que me prendera em baixo d’agua. E ao quebrar a barreira da água e respirar o mundo inteiro de uma vez só, eu chorei de felicidade. Poucas vezes estive tão feliz por estar onde eu estava, com quem eu estava, por ter a vida que eu tenho.
Até vir a próxima onda e mais um caldo. Talvez este tenha me nocauteado a ponto de eu precisar de um minuto a mais para reencontrar meu chão. Eu sei pra onde eu quero ir para voltar a segurança, mas sei também que desta vez, eu tenho que fazer sozinho. Que eu preciso aprender o caminho de volta, ao invés de ser resgatado. É uma experiência que não é nova para mim, longe disso. Minha vida foi feita de altos e baixos e o que eu sinto hoje, já senti outras centenas de vezes. Por isso, sei pra onde preciso nadar. Talvez minhas braçadas agora não estejam tão largas e fortes, mas eu chego lá.
Talvez amanhã, talvez semana que vem. Não sei. Não cabe a mim saber. Quando for, será.
Mas quando chegar, não pretendo que as ondas me levem as rochas. Não quero acordar e ver que minha jangada se foi e eu nem percebi. Quando eu chegar, eu firmarei minhas coordenadas e estarei aqui pro que der e vier. Mais forte, mais compreensivo, mais confiante, mais eu.
A sua mão me buscou na areia movediça que me engolia em meio a esse caos todo. Foi e é porque a gente merece tudo o que a gente mesmo se prometeu lá atrás que eu estou nessa busca. Eu quero ser o seu Porto Seguro também, o lugar que você mais adora no mundo, a brisa que mais te refresca e o nascer do Sol que mais te trás alegria. Quero ser a paisagem que mais te trás paz, e a música que mais te faz querer dançar. Quero ser o travesseiro que você abraça nos momentos de tristeza, e também o seu amigo que mais te da confiança para ser quem você é. Eu quero ser tudo pra você, assim como você é pra mim.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário