"Hoje não, por favor me deixa em paz, não quero pensar em mais nada...". Essa foi a frase que começou tudo.
Por anos eu dediquei minha vida a um propósito. Escrever, fazer dos meus pensamentos música. Sentia um orgulho extremo quando botava o último verso no papel, finalizando assim mais uma página da minha história.
Sempre com meu violão pronto e afinado, não importa onde fosse, eu cifrava meus sentimentos.
Em sua grande maioria, minhas músicas são tristes e sobre o amor que eu sentia, fosse ele por uma pessoa ou uma causa.
Algumas delas, pela simples vontade de expressar minha dor e minha luta pessoal, a qual travei por longos dias e noites.
"Me diz onde estava você quando olhei pra trás, e nuvens de praga devoraram a minha sombra. Me diz como pode esperar refúgio em meu lar, se os cortes em meu rosto ainda sangram com teu gosto..."
Por anos e anos, essa era minha válvula de escape, por assim dizer.
Não importava o que acontecesse, lá estava eu sozinho em algum canto com meu caderno botando meu coração em folhas pautadas.
Nunca vou me esquecer as bolhas e os dedos sangrando após uma gig, ou um ensaio. Não importava onde fosse, eu levava aquilo tudo à intensidade extrema, mesmo sendo incompreendido as vezes por meus parceiros de banda. O que eles não entendiam era que aquelas palavras que o vocalista cantava eram a minha existência posta em versos sem rima ou métrica.
"Sabe, se eu pudesse explicar o que eu sinto, talvez os meus versos fossem menos confusos pra você..."
Por todas as etapas da minha vida recente, batidas por minuto, metrônomos, baquetas quebradas, cordas remendadas, underground stages, amplificadores com distorção, suor e vista embaçada fizeram toda a diferença.
Por mais que eu veja hoje as coisas por um outro ângulo, estar na platéia é algo que desperta em mim uma saudade incrível.
Ver que o que você tem a dizer, significa tanto para alguma outra pessoa ao ponto desta as gritar com toda a força que tem em seu peito, é uma sensação indescritível.
Alguém te ouve, alguém faz dele as suas palavras, alguém busca a força pra se reerguer ouvindo os seus passos. Isso, pra mim, vale muito mais do que ver meu nome escrito em algum encarte de cd.
Nunca fiz questão nenhuma do sucesso.
Até poderia fazer. Mas prefiro, no silêncio do meu anonimato, ouvir você sussurar as palavras que eu escrevi pra te ver feliz.
"Me leva pra sair e vamos errar todas as placas e acordar em qualquer outro lugar. Porque não me importa onde amanhecer, desde que eu esteja com você..."
quinta-feira, 3 de junho de 2010
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