Hoje eu queria viver num refrão de música. Queria ter a certeza de que quando me faltasse o ar nos pulmões pra continuar cantando, haveria uma vírgula amiga que me deixasse recuperar o fôlego para retomar a canção. Queria que todas as minhas sílabas fossem poéticas e que os meus versos alexandrinos não fossem tão fúteis como uma música que simplismente gruda no seu pensamento.
Um brinde a vida que nos fere tão gravemente com seu fogo que não cessa, não importando a tempestade que caia no quintal.
Hoje eu quero ser a primeira estrofe da poesia que escrevemos juntos por tanto tempo. Se lembra quando escrevíamos os primeiros versos e não tínhamos certeza de como rimaríamos as palvras?
Eu guardo esse sentimento em meu coração. Eu, que nunca achei bonito rimar e seguir padrões estéticos, me perdi nos redondilhos da minha existência.
Queria sentir que a harmonia que meu coração compôs para os momentos em que meus olhos te vissem caminhando em minha direção soasse como anjos sussurrando em meus ouvidos, nessa noite que não terá fim.
Um brinde ao que é certo, agora que nossas taças têm dúvidas quanto ao som que fazem. Mas que o tilintar do nosso cristal seja eterno e ecoe pelo universo do mesmo jeito que as palavras que dissemos com tanta paixão, um dia, ecoam em meus pensamentos.
Hoje eu queria ser o rei do meu castelo de areia. Queria gritar ordens para meus homens não pararem de lutar enquando não ouvirem a música acabar. Mesmo que talvez a onda que ameaça seja tão grande que não deixe o Sol iluminar meu rosto.
"Tem um lugar em mim que é só seu e nada vai mudar, porque é meu."
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