terça-feira, 29 de junho de 2010

A Harmonia que Busco

Hoje eu queria viver num refrão de música. Queria ter a certeza de que quando me faltasse o ar nos pulmões pra continuar cantando, haveria uma vírgula amiga que me deixasse recuperar o fôlego para retomar a canção. Queria que todas as minhas sílabas fossem poéticas e que os meus versos alexandrinos não fossem tão fúteis como uma música que simplismente gruda no seu pensamento.
Um brinde a vida que nos fere tão gravemente com seu fogo que não cessa, não importando a tempestade que caia no quintal.
Hoje eu quero ser a primeira estrofe da poesia que escrevemos juntos por tanto tempo. Se lembra quando escrevíamos os primeiros versos e não tínhamos certeza de como rimaríamos as palvras?
Eu guardo esse sentimento em meu coração. Eu, que nunca achei bonito rimar e seguir padrões estéticos, me perdi nos redondilhos da minha existência.
Queria sentir que a harmonia que meu coração compôs para os momentos em que meus olhos te vissem caminhando em minha direção soasse como anjos sussurrando em meus ouvidos, nessa noite que não terá fim.
Um brinde ao que é certo, agora que nossas taças têm dúvidas quanto ao som que fazem. Mas que o tilintar do nosso cristal seja eterno e ecoe pelo universo do mesmo jeito que as palavras que dissemos com tanta paixão, um dia, ecoam em meus pensamentos.
Hoje eu queria ser o rei do meu castelo de areia. Queria gritar ordens para meus homens não pararem de lutar enquando não ouvirem a música acabar. Mesmo que talvez a onda que ameaça seja tão grande que não deixe o Sol iluminar meu rosto.

"Tem um lugar em mim que é só seu e nada vai mudar, porque é meu."

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sim

Sabe aquelas horas em que tudo está se fechando ao seu redor?
Que o desespero toma conta?
Pois é.
Ontem foi desse jeito pra mim. Queria sumir.
Peguei o carro e fui. E como um imã, o mar me atraiu. Quando vi, estava sentado na areia daquela praia que conheço tanto, ouvindo as ondas irem e virem.
Nada paga a visão do mar a noite. Nada te faz sentir melhor do que ver o Sol nascendo e iluminando timidamente o seu rosto.
Entre pescadores e gaivotas, me senti com vontade de viver de novo.
Vontade de ver o mundo sob meus olhos.
Falta alguns dias ainda, tenho tempo pra me despedir lentamente de tudo o que faz realmente a diferença na minha vida.

Mas que eu queria que o dia parasse pra eu ficar ali vendo o Sol nascendo, AH, isso eu queria.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dor

Grito pro mundo o quanto doi meu coração ter que te ver ir, grito a dor de mais um dia que não passou.
Talvez eu não deva mais fugir dela.
Talvez seja a única coisa que ainda aguente a minha presença ao seu lado e me faça companhia quando a minha maior vontade é quebrar todos os espelhos da casa.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Novo Mundo

Em 1492, foi criada uma expressão para explicar à população da Europa qual era o lugar que os exploradores navegantes encontraram.
Chamadas de Novo Mundo, as Américas foram introduzidas no contexto dos países que as colonizaram e daí a história que todos conhecemos pôde se desenrrolar e seguir seu caminho.
Engraçado que sempre vi isso nos livros de história e nunca entendi muito bem. Tudo bem que pra Cristóvão Colombo, Américo Vespúcio e Pedro Álvares Cabral, era de fato um mundo novo mas, já haviam muitos povos com suas populações e etc.
Aula de história a parte, tenho ouvido muito esta expressão ultimamente. Novo Mundo.
Impressionante como uma expressão do século XVI se aplica quase que perfeitamente na situação em que vivo.
Como não deve ser segredo para todas as 3 pessoas que lêem este blog, eu estou de mudança. A data está marcada na passagem e no meu coração cada dia que passa é um dia que trás essa nova realidade pra perto de mim.
A fase de construção da caravela já foi concluída há tempos e hoje dou os ajustes finais à esta jornada.
Naveguei por muitos devaneios até chegar onde estou hoje. Pronto, preparado e maduro.
Como um pirata, busco meu tesouro nos mares que eu ainda não conheço e não quero, nem por um segundo, perder de vista os faróis da minha vida que por tantos anos me guiaram pela escuridão de mares turbulentos.
Numa frase muito sábia, dita a mim, em uma ocasião, busco meu porto seguro. "Você é meu maior tesouro e meu lado pirata não vai abrir mão disso."
Junho está em seu final, chorando junto comigo por ter demorado tanto a passar. Aprendi muito com esses dias. Descobri muito sobre mim, expondo meus pontos fracos aos Deuses do mar. Foi necessário sentir a água salgada arder em minhas feridas para que eu abrisse os olhos de novo.
Sei o que quero. Vou buscar. Sei que ainda não cheguei ao abismo de meu Finis terrae.
Como Colombo, acredito que além do mito há o mar. E vou, como ele, buscar o meu Novo Mundo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Primeiro Cabelo Branco

Levantar e fitar os olhos no espelho. Perceber que há tantas rugas que nunca tinha visto.
Ao pensar nos dias que passaram, tenta se erger e não mostrar os cortes na sua alma, mesmo que estes transpareçam e sejam tão aparentes através da barba por fazer e das olheiras que agora habitam seu rosto.
A tristeza visível em sua palidez e nos quilos que perdera dominara sua existência, e agora, como continuar? Pra onde ir?
O dia se vai e quando percebe que passou todas as horas sentado em frente a uma máquina fria, esperando três palavras, se pergunta "o que aconteceu?".
O cabelo branco que achou em sua cabeça mostra que o vazio em que se encontra, deixa marcas. Sente que o dia tem 100 horas, 9 horas, 3 horas, tanto faz. E envelhecer 6 meses, 100 anos, 3 dias, tudo bem, tanto faz.
É só o inferno, amor. Mesmo que a pior coisa pra se escrever seja essas duas palavras numa mesma frase.
O mundo está todo errado. Não sou eu, é a vida quem não sabe o que quer.
Eu entrego aqui meus pontos. Eu estou entregue. Eu te amo muito pra continuar fazendo isso.
Cansei de fingir que sou forte e que estou bem. Não estou. Não vejo meu mundo sem você, sou perdido sem seu olhar.
Hoje, eu quero poder pedir pra você não me deixar e dizer que não quero viver sem você.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Capítulo 2

Antes que pudesse pensar, estava no meio de um bosque. Procurou por uma brisa, um pouco de ar puro numa respiração profunda. Era impressionante como aquele lugar o acalmava, o tirava da incerteza na qual parecia estar imerso. Numa área imensa coberta por uma calma que só décadas e décadas de crescimento poderiam lhe oferecer, desistiu de voar. Foi para o chão, com os pés descalços para ouvir o que a terra úmida tinha a lhe dizer.
Enquanto estava lá, buscou conversar com as árvores, extrair delas um pouco daquela paciência vital que as faz ter tantos metros. Era como se sussurrassem para ele, em música. Extasiado subiu na árvore mais alta que achara e, de lá, viu o mais belo amanhecer. Precisava disso. Tentava descobrir o porquê de não fazer isso mais vezes. Tinha tornado-se adulto demais, ou surdo demais.
Não foi egoísta ao ponto de ficar lá o dia inteiro, embora fosse isso que quisesse. Foi em busca do próximo ponto, e no caminho viu que estava sendo levado para um lugar que lhe parecia tão íntimo, mas ao mesmo tempo, aterrorizantemente distante. Procurava por rotas ou guias que pudessem levá-lo a algum lugar. Nada. Foi então que decidiu deixar o coração guiá-lo.
Conhecia os lugares pelos quais passava, já estivera ali antes. Era um apartamento pequeno, que não tinha nenhum móvel, a vista, se olhasse bem, dava para um campo gramado com algumas árvores. Sentiu-se em casa, uma sensação que lhe causava certa desconfiança, mas, ao mesmo tempo nutria seu coração com esperança. Fez planos ali. Se viu levando uma vida ali.
Ao deixar o apartamento, imediatamente, foi levado à um outro lugar, não muito distante dali. Uma casa grande e muito bonita, com uma árvore na frente. Infelizmente não vira a árvore em seu esplendor da primavera mas, não deixou de ficar impressionado com ela. Entrou pela porta da frente e ao ver o carpete branco, uma lembrança cortou seu pensamento como um raio.
- Tira o sapato para subir – pensou, rindo consigo mesmo.
Não deixou de reparar que algo naquela casa lhe atraía como um imã. De olhos fechados, como se tivesse os passos em seu coração, subiu e foi direto ao primeiro quarto à direita, no final da escada. Demorou um tempo em frente à porta e, quando a abriu, fez com cuidado para que não fosse percebido. Não podia deixar de notar a ansiedade que fazia com que seus olhos lacrimejassem.
Então a viu. Dormia, ainda que o Sol já começasse a passar pela persiana da janela. Buscou um canto na cama em que a via envolta num lençol cor de noite. Respirou fundo e ficou lá, olhando. O silêncio ainda se fazia na casa. Nem sabia há quanto tempo já estava lá quando, num ato de um profundo agradecimento, inclinou-se, beijou-lhe as mãos e a testa e ajeitou-lhe o cabelo para que pudesse se ver seu rosto. Teve certeza de nunca ter visto um rosto tão belo na vida.
Triste por ter que ir, partiu quando o despertador falou que era hora de acordar.

Capítulo 1

Acordou e sentiu que o Sol não invadia seu quarto. Com os olhos ainda fechados tateou o móvel ao lado da cama buscando o relógio como se buscasse uma explicação pro dia não ter nascido ainda.
3:48. Mesmo assim, sentou-se na cama como se estivesse querendo muito voltar a dormir mas não conseguia.
Levantou-se e foi buscar um copo d'água. Quando voltou ao quarto, se viu ali deitado em seu edredom vermelho sangue.
Encarou aquela imagem por alguns instantes e então, num movimento tão brusco e tão espontâneo, virou-se eu deu de costas àquela imagem que lhe causava tanta estranheza.
Sentia uma estranha sensação de liberdade correndo denovo nas veias, e assim, cheio de energia, abriu a porta e saiu. Não precisava das chaves do carro, nem da carteira e muito menos do maço de cigarros que teria sido seu fiel companheiro nos últimos dias.
Saiu andando. Deixou seu lado miserável deitado na cama e foi ver o mundo.
Passou pela portaria do prédio e acenou para o guarda que toma conta do portão mas, como já suspeitava, não obteve resposta. Tudo bem, não se importou com isso e seguiu seu caminho andando em um passo tão acelerado que nem parecia que realmente estava andando.
Fez seu caminho sem olhar mapas, já sabia onde iria. Quando se deu por si, viu o mar. Estava naquela casa denovo, onde tanto aconteceu, de onde guardava tanta coisa, aquela casa que fazia sussurros virarem paixão. Ficou um minuto lembrando de como era quando havia tanto amor, tanta vida naqueles cômodos.
Virou as costas e continuou seguindo seu caminho. Voou pelas estradas que cortam a cidade cinza em que vive e, novamente, chegou a um lugar que, em sua vida, é muito importante. O lugar que é seu santuario de sabedoria. Onde vai quando precisa de um conselho, quando precisa de uma luz, quando clama por explicações sobre a vida.
Viu um homem velho, sentado em um banco próximo à uma árvore de flores cor de rosa e não pode notar o olhar de preocupação com que o homem o fitava por trás dos óculos de lentes tão grossas.
Ao se sentar ao lado daquele homem, se sentiu em paz e, num ato de puro instinto, agarrou-lhe a mão forte e calejada do velho e colocou em seu rosto.
- O que você está fazendo de sua vida, meu neto?
- Sempre acreditei fazer o certo, vô. Sempre tive esperança no futuro, mantive o amor vivo em meu coração. Não consigo entender, as coisas não fazem mais sentido.
- O sentido que você procura, não está aqui comigo, Pê. Não há nada para você ver nesse lado de cá. Procure em você o sentido porque este é o único lugar que você poderá achá-lo.
Se despediram com um longo abraço, um abraço que traduzia uma saudade de dois anos.
Seguiu mas, não queria voltar pra casa.

domingo, 6 de junho de 2010

Hoje, amanhã não, hoje.

Hoje, eu enterro essa pessoa que em nada se parece comigo. Hoje o Sol nasceu. Hoje é um dia em que a vida volta ao meu coração, o sangue volta a correr em minhas veias.
Cansei de estar aqui, cansei de estar caindo num poço o qual eu nem percebi.
Estou no fundo, o unico caminho é subir.
Hoje eu enterro essa forma de vida a qual eu estou imerso. Cansei de estar anestesiado pela vida ao ponto de não me enxergar, ao ponto de não te enxergar.
Tenho a Vitória como meu hino.
Hoje retorno ao comando da minha vida, hoje me sinto feliz pelo que sou e pelo que consegui.
Não aguento mais ser triste. Não consigo mais respirar esse ácido que me corrói e estraga tudo o que conquistei.
Hoje, não amanhã, hoje.
Hoje eu enterro esse sentimento de culpa por existir e essa inércia que me faz não querer continuar.
Tenho a Vida como meu hino.
Hoje eu me sinto completamente satisfeito com os sonhos que tenho e as expectativas que carrego.
Hoje eu não tenho vontade de ser triste. Hoje eu posso ter meu nome de volta.
Hoje eu espero que não seja tarde.
Tenho o Amor como meu hino.
Hoje, o inimigo que existe em mim morre. Hoje, busco minha paz, busco meu olhar apaixonado.
Hoje, não amanhã, hoje.
Hoje eu vou voar às crateras da Lua, hoje eu limpo meus olhos destas aranhas sem pernas que habitavam meus sonhos.
Hoje eu vou voltar a meia-noite só pra ver voltar.
Tenho a harmonia como meu hino.
Hoje eu vou viver. Hoje eu vou amar seu sorriso, como um menino que ama o mar.
Hoje eu vou escrever coisas sem sentido só para ter o prazer de ser o que sou, um sonhador que quer sempre mais.
Hoje, não amanhã, hoje.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Metrônomo

"Hoje não, por favor me deixa em paz, não quero pensar em mais nada...". Essa foi a frase que começou tudo.
Por anos eu dediquei minha vida a um propósito. Escrever, fazer dos meus pensamentos música. Sentia um orgulho extremo quando botava o último verso no papel, finalizando assim mais uma página da minha história.
Sempre com meu violão pronto e afinado, não importa onde fosse, eu cifrava meus sentimentos.
Em sua grande maioria, minhas músicas são tristes e sobre o amor que eu sentia, fosse ele por uma pessoa ou uma causa.
Algumas delas, pela simples vontade de expressar minha dor e minha luta pessoal, a qual travei por longos dias e noites.
"Me diz onde estava você quando olhei pra trás, e nuvens de praga devoraram a minha sombra. Me diz como pode esperar refúgio em meu lar, se os cortes em meu rosto ainda sangram com teu gosto..."
Por anos e anos, essa era minha válvula de escape, por assim dizer.
Não importava o que acontecesse, lá estava eu sozinho em algum canto com meu caderno botando meu coração em folhas pautadas.
Nunca vou me esquecer as bolhas e os dedos sangrando após uma gig, ou um ensaio. Não importava onde fosse, eu levava aquilo tudo à intensidade extrema, mesmo sendo incompreendido as vezes por meus parceiros de banda. O que eles não entendiam era que aquelas palavras que o vocalista cantava eram a minha existência posta em versos sem rima ou métrica.
"Sabe, se eu pudesse explicar o que eu sinto, talvez os meus versos fossem menos confusos pra você..."
Por todas as etapas da minha vida recente, batidas por minuto, metrônomos, baquetas quebradas, cordas remendadas, underground stages, amplificadores com distorção, suor e vista embaçada fizeram toda a diferença.
Por mais que eu veja hoje as coisas por um outro ângulo, estar na platéia é algo que desperta em mim uma saudade incrível.
Ver que o que você tem a dizer, significa tanto para alguma outra pessoa ao ponto desta as gritar com toda a força que tem em seu peito, é uma sensação indescritível.
Alguém te ouve, alguém faz dele as suas palavras, alguém busca a força pra se reerguer ouvindo os seus passos. Isso, pra mim, vale muito mais do que ver meu nome escrito em algum encarte de cd.
Nunca fiz questão nenhuma do sucesso.
Até poderia fazer. Mas prefiro, no silêncio do meu anonimato, ouvir você sussurar as palavras que eu escrevi pra te ver feliz.
"Me leva pra sair e vamos errar todas as placas e acordar em qualquer outro lugar. Porque não me importa onde amanhecer, desde que eu esteja com você..."

terça-feira, 1 de junho de 2010

Junho

E começa mais um mês.
30 dias de contagem regressiva.
720 horas de uma espera ansiosa pelo dia em que, mesmo no frio, minhas mãos estarão quentes de novo.
2 meses para eu atingir meu objetivo. Viver minha vida por mim mesmo.
Escrever meus parágrafos nesse grande livro. Escrever minha história.
Viver um sonho, fazer parte de um todo que nem percebe que eu existo mas, mesmo assim, seguir em frente.
Viver um sonho, fazer parte do sonho de alguém. Me despedir e ir. Simples e leve como tudo deve ser.
E quando menos esperarmos, junho terá ido embora e terá trazido para mim minha coragem, meu bem querer, meu brilho dos olhos, minha razão.