Sinto cheiro de sangue. Deitado no chão tento focalizar alguma imagem com os olhos recém abertos. Os braços pesados tentam se mexer e tatear alguma coisa para substituir a visão ofuscada.
Tento buscar na memória o que aconteceu para estar ali no escuro mas, minha cabeça dói demais. Não consigo pensar, não consigo enxergar, nem me mover. Só sinto o gosto de sangue na boca.
Horas se passaram, quem sabe, até dias já correram.
Ao me levantar do chão, percebo onde estou. É hora de mudar, de reagir a tudo isso. Sair deste inferno e ter uma vida de novo, lá em cima.
O cheiro não é mais de sangue. Se transformou em algo como ZyklonB e suor. O gosto é de loucura. A imagem no espelho é de um pânico tão sujo e acabado que me arrepiaria os ossos de ver. As pernas voltaram a obedecer e querem correr para longe desse buraco assim como todas as células do meu corpo.
Talvez, aqui, ser louco não seja tão ruim assim.
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