Até pouco tempo atrás, eu vivia a minha vida em fragmentos. Explico melhor: uma vida fragmentada é aquela na qual as rupturas são os eventos mais interessantes. Gostava de ver o circo pegar fogo. Sempre procurando confusão. As rupturas era os eventos mais legais porque eram elas que prendiam a atenção das pessoas. Fossem elas boas ou ruins na natureza de suas intensões. Cá pra nós, eu sempre preferi as ruins. Sim, por burrice.
Acho que agia assim por não ter o que perder. Ou melhor, ter na minha cabeça a imbecil ideia de que eu não tinha nada a perder. Não posso dizer que me arrependo. Aquela vida me ensinou muito sobre mim e sobre como viver(ou não viver) naquela segunda chance que eu recebia.
Hoje, tenho tudo a perder. E sei que tenho. Luto por isso todos os dias. Vejo o futuro se aproximando, as folhas do calendário caindo… É assim, a vida é movimento. Ao mesmo tempo que grito para que o tempo passe mais rápido, aperto meus dedos para saber, lá dentro, que não posso falhar de novo. Há de se ter serenidade. Há de se ter cautela.
Essas coisas não são fragmentadas. São uma linha reta que me leva diretamente a você.
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